Recifes de Águas Profundas: um paraíso invernal oculto

Escrito por Laura Anthony, Traduzido por Thomás Banha, Revisão por Ana Carolina Grillo

Fig, 1 Squat lobster em um jardim do coral de mar profundo Desmophyllum pertusum (Rogers et al., 2015)

Para muitos, a palavra recife evoca imagens de mergulho em águas com temperatura de banho sobre corais e peixes vibrantes, próximo a uma praia ensolarada. No entanto, existem mais espécies de corais que iluminam as águas invernais do fundo do mar, formando habitats que rivalizam com as cores e a biodiversidade dos recifes de águas rasas. Os corais e esponjas de recifes de águas profundas são encontrados ao redor do globo em todas as latitudes e profundidades. Tudo que se encontre abaixo de 200 metros é considerado “mar profundo”, fora do alcance da luz. Ao contrário de seus primos de águas rasas, os corais de águas profundas não têm algas simbióticas que fornecem alimento por meio da fotossíntese, então eles dependem de alimentos que caem da superfície do mar.

Recifes nas profundezas

Originário do termo norueguês “rif”, um recife historicamente se referia a corais que representavam um perigo para navios. No entanto, os corais de águas profundas podem formar estruturas tridimensionais massivas a milhares de metros de profundidade, longe do alcance dos navios. Assim, os cientistas de mar profundo ainda hoje debatem sobre quando e se deveriam usar o termo para descrever a maioria dos ecossistemas de corais e de esponjas de águas frias. Corais duros de águas profundas podem assentar nos esqueletos mortos de corais anteriores, formando grandes estruturas normalmente chamadas de recifes, montes e colinas. O coral de águas profundas mais bem estudado é Desmophylum pertusum, anteriormente denominado Lophelia pertusa, porque forma grandes estruturas de recife no Hemisfério Norte, enquanto Solenosmilia variabilis forma recifes de cor laranja brilhante no Hemisfério Sul. Além dos recifes formados por corais duros, octocorais e corais negros formam jardins e leitos de corais em águas profundas. Até mesmo as esponjas podem formar grandes estruturas recifais nas profundezas!

Fig. 2 Link: https://www.mbari.org/seafloor-ecology-spring-expedition-2020/Comunidade de esponja de mar profundo na Sur Ridge

Associação de espécies

Embora não seja tão familiar quanto o vínculo entre o peixe-palhaço e a anêmona, a relação simbiótica entre o coral Desmophylum pertusum e o verme poliqueta Eunice norvegica é igualmente fascinante. O verme rouba comida dos pólipos de coral, mas paga a dívida movendo fragmentos de coral juntos para fortalecer a estrutura do recife. Além disso, os peixes de interesse comercial usam corais de águas profundas e habitats de esponja como berçário e área de alimentação, e muitos outros invertebrados que se alimentam por suspensão se estabelecem no topo dos recifes para se alimentar sobre a água que se move lentamente, mais próxima do leito do mar.

Fig. 3 Calcificação reforçada de fragmentos de coral de águas profundas devido ao poliqueta Eunice norvegica (Oppelt et al., 2017)

Ameaças aos recifes de mar profundo

Embora o mar profundo pareça estar muito longe do alcance dos humanos, nossas ações ainda impactam os corais e esponjas do mar profundo. As mudanças climáticas estão aquecendo as águas profundas, esgotando o oxigênio necessário à vida. A acidificação do oceano está dissolvendo esqueletos de coral no mar profundo mais rapidamente do que observado em corais de águas rasas. Como os ecossistemas de esponjas e corais de águas profundas abrigam espécies de interesse comercial, a atividade pesqueira pode destruir as espécies formadoras de estruturas. Até mesmo o lixo do continente pode atingir o fundo do mar e se enredar em corais e esponjas. Felizmente, à medida que a tecnologia para a exploração dos oceanos avança, uma maior compreensão dos ecossistemas de corais e esponjas de mar profundo nos permite tomar decisões de gestão bem informadas.

Referências

Miller, Karen J., & Rasanthi M. Gunasekera. 2017. A comparison of genetic connectivity in two deep sea corals to examine whether seamounts are isolated islands or stepping stones for dispersal. Scientific Reports 7: 1–14.

Oppelt, Alexandra, Matthias López, Carlos Rocha. 2017. Biogeochemical analysis of the calcification patterns of cold-water corals Madrepora oculata and Lophelia pertusa along contact surfaces with calcified tubes of the symbiotic polychaete Eunice norvegica: Evaluation of a ‘mucus’ calcification hypothesis. Deep-Sea Research Part I: Oceanographic Research Papers 127: 90–104.

Roberts, J. Murray, Andrew Wheeler, Andre Friewald, Stephen Cairns. 2009. Cold-Water Corals: The Biology and Geology of Deep-Sea Habitats. Cambridge University Press, New York, United States.

Rogers, Alex D., Andrew S. Brierley, Peter L. Croot. 2015. Delving Deeper: Critical challenges for 21st century deep-sea research. European Marine Board: Technical Report

“Seafloor Ecology Spring Expedition.” n.d. Monterey Bay Aquarium Research Institute

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