Por Michelle Baptist
Translated by Jessica Bleuel
Reviewed by Ana Carolina Grillo
Como um grande fenômeno na tecnologia e na conservação, a inteligência artificial (IA) é encontrada virtualmente em todos os aplicativos online. Desde o comumente usado ChatGPT até modelagens científicas mais complexas de habitats bentônicos, os impactos ambientais da IA ainda estão sendo avaliados na sociedade moderna. A emergência da IA na conservação de corais é de interesse particular, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal. A palestra da Dra. Annalisa Bracco em “Usando a intuição e a IA para salvar recifes de corais” durante um evento do TEDx Talk em junho de 2024 explicou muito bem esse paradoxo. Nós geralmente ouvimos sobre como utilizar a IA de uma forma mais eficiente para substituir completamente a atividade humana. Entretanto, a Dra. Bracco mostrou uma perspectiva mais aprofundada sobre o uso da IA como uma ferramenta em relação à intuição humana. Com a apresentação da Dra. Bracco, a pesquisa científica sobre os desafios da IA e minha própria experiência trabalhando com modelos de IA de corais, há muito a considerar ao combinar IA com conservação.

Figura 1. Imagem de um recife de coral real (à esquerda) dividida com um design (dissipador de calor) baseado em um recife de coral (à direita) criado para otimizar o resfriamento de chips de IA de alto desempenho. (Jared Pike via Purdue University.)
- Visão geral da IA
Quando mais nova, a Dra. Bracco descobriu sua paixão pelo oceano depois de uma expedição de navegação na costa da Itália. Enquanto estudava Física na Georgia Tech em 2006, ela se encontrou mais interessada em trabalhar com computadores e modelagem de fluidos 1. Isso levou à criação do seu projeto de doutorado, com redemoinhos oceânicos. Um redemoinho é definido pela NOAA como uma corrente circular de água que pode fazer com que nutrientes normalmente encontrados em águas profundas e frias cheguem à superfície 2. A Dra. Bracco começou a trabalhar mais com recifes de corais e modelagem por meio do projeto de um colega, que havia coletado amostras de corais de águas profundas que estavam distanciados cerca de 320 quilômetros um do outro e a 2.400 metros de profundidade no Golfo do México 1.
Surpreendentemente, as análises genéticas feitas por seu colega mostraram que essas colônias de corais não haviam trocado nenhum material genético por mais de 10 mil anos, apesar de estarem relativamente próximas na mesma região do Golfo 1. Isso abriu os olhos da Dra. Bracco para o mundo do transporte de larvas de corais, aplicando sua própria pesquisa sobre conectividade de ecossistemas marinhos com redemoinhos. As correntes oceânicas e redemoinhos influenciam como as larvas são transportadas quando buscam regiões propícias para o assentamento. Uma vez assentadas, há uma chance maior de crescimento das colônias de corais em um habitat saudável.
Um dos principais benefícios da modelagem com a IA é que ela serve como uma ferramenta útil, já que análises genéticas são geralmente caras, demoradas e exigem muito trabalho. Algumas maneiras pelas quais a IA e a aprendizagem de máquina (do inglês “Machine learning” ML) são eficazes para criar novas oportunidades de conectividade de recifes e oceanos são:
- Processar dados de satélite dos últimos 40 anos para gerar uma rede de conectividade em diferentes regiões pela primeira vez1.
- Indicar aos pesquisadores de corais quais recifes priorizar para transplantar fragmentos e onde focar estratégias espaciais para manter os corais vivos por mais tempo.
- Monitorar recifes como um sistema, verificando o estresse dos corais regularmente.

Figura 2. A Dra. Bracco descreve sua pesquisa de conectividade do ecossistema marinho via TEDx Talk.
Um outro estudo do Dr. Abdullahi Chowdhury trata da vigilância de recifes de coral utilizando IA, ML, sistemas de informação geográfica (SIG) e sensoriamento remoto. Esses métodos avançados de vigilância para um monitoramento mais efetivo são incentivados devido às mudanças climáticas, poluição e atividades humanas que estão causando o rápido declínio dos recifes de coral 3,4. Por exemplo, meu trabalho com monitoramento de corais envolveu o uso de planadores subaquáticos que cobriam 10 hectares e capturavam 50 mil imagens subaquáticas de alta resolução por hora para treinar modelos de IA na identificação de corais do Mar Vermelho. Isso permitiu uma pesquisa mais rápida e segura do que o mergulho em regiões de fortes correntes ao longo da costa altamente patrulhada da Arábia Saudita.
Eficiência, mas a que custo?
Embora a IA seja considerada uma tecnologia revolucionária, também é importante considerar os desafios técnicos, a pegada ecológica e as emissões de carbono como limitações ao seu uso. Modelos de IA de alta performance nem sempre são acessíveis para estações de pesquisas remotas, nem são fáceis de interpretar devido às “caixas pretas” em suas aplicações 3,4. O treinamento e uso de modelos como o ChatGPT consome 1,287 gigawatts-hora de eletricidade, equivalente ao consumo anual de energia de 120 residências americanas 6. Isso gera cerca de 552 toneladas de dióxido de carbono 7. A geração de modelos de IA também exige grandes volumes de água doce, o que sobrecarrega os sistemas de abastecimento e ameaça ecossistemas locais. A cada vez que é acionado, o ChatGPT usa até 500 mL de água8. Essas demandas dos recursos naturais, que já estão em declínio, nos alertam a proceder com cautela ao utilizar modelagem de IA em todas as suas aplicações.
Inteligência artificial, intuição natural
No geral, esta avaliação é apenas um primeiro mergulho em um universo profundo que envolve IA e ML. O ponto final da Dra. Bracco foi: “Embora a IA possa nos ajudar a resolver tarefas do dia a dia, ela nunca substituirá o pensamento criativo, a comunicação e a intuição humana.” Ela ressaltou que a capacidade do cérebro humano de resolver problemas é única por permanecer curioso e conectado. Portanto, a IA deve ser usada como uma ferramenta, e não como uma tecnologia da qual dependemos em excesso no futuro.

Figura 3. Slide final da apresentação da apresentação da Dra. Bracco sobre a IA na conservação dos corais via TEDx Talk.
Como leitora, incentivo você a buscar os recursos abaixo e ver como eles se alinham ao seu próprio uso recreativo da IA e à sua pesquisa futura! Para buscas casuais na internet, você também pode digitar “-ai” no final para omitir os resultados com sugestões de IA.
Referências:
- [Main Source] Bracco, A. “Using Intuition and AI to Save Coral Reefs.” 2024. https://www.classcentral.com/classroom/youtube-using-intuition-and-ai-to-save-coral-reefs-dr-annalisa-bracco-tedxalexanderpark-307276
- NOAA. “What is an eddy?” 2025. National Oceanic and Atmospheric Administration website. https://oceanservice.noaa.gov/facts/eddy.html.
- Chowdhury, A., Jahan, M., Kaisar, S., Khoda, M. E., Rajin, S M Ataul Karim, & Naha, R. 2024. “Coral Reef Surveillance with Machine Learning: A Review of Datasets, Techniques, and Challenges.” Electronics, 13(24), 5027. https://doi.org/10.3390/electronics13245027
- “Transforming coral reef monitoring and conservation with AI and GIS.” 2024. Devdiscourse. https://www.devdiscourse.com/article/science-environment/3265897-transforming-coral-reef-coral-reef-monitoring-and-conservation-with-ai-and-gis.
- Flying Fish Technologies Pty. Ltd. 2025. https://fft.ai/home.
- Wang, Q., Li, Y., & Li, R. 2024. “Ecological footprints, carbon emissions, and energy transitions: the impact of artificial intelligence.” Humanities and Social Sciences Communications, 11, 1043. https://doi.org/10.1057/s41599-024-03520-5.
- Zewe, A. 2025. “Explained: Generative AI’s environmental impact.” MIT News. https://news.mit.edu/2025/explained-generative-ai-environmental-impact-0117.
- O’Brien, M. & Fingerhut, H. 2023. “Artificial intelligence technology behind ChatGPT was built in Iowa – with a lot of water.” Associated Press (AP). https://apnews.com/article/chatgpt-gpt4-iowa-ai-water-consumption-microsoft-f551fde98083d17a7e8d904f8be822c4?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsletter_axios
